QUESTÕES DA NÃO APRENDIZAGEM E CARACTERÍSTICAS DAS DEFICIÊNCIAS E SÍNDROMES

Aula: QUESTÕES DA NÃO APRENDIZAGEM E CARACTERÍSTICAS DAS DEFICIENCIAS E SÍNDROMES

Professora: Caroline Saback Muniz

Sou Psicopedagoga clínica e institucional, especialista em Docência do Ensino Superior, Educação e Tecnologia Aberta e Digital, Neuropsicologia, Doutoranda em Educação na UNR – Argentina.

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR A AULA AO VIVO (INICIO 19H)


CLIQUE AQUI PARA ACESSAR A AULA AO VIVO (INICIO 19H)

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR AS ATIVIDADES COMPLEMENTARES


Clique aqui para acessar as atividades complementares

APOSTILA

QUESTÕES DA NÃO APRENDIZAGEM E CARACTERÍSTICAS DAS DEFICIENCIAS E SÍNDROMES

 Autora: Caroline Saback Muniz 

 

 

“Um indivíduo consegue hoje um diploma de curso superior sem nunca ter aprendido a comunicar-se, a resolver conflitos, a saber o que fazer com a raiva e outros sentimentos negativos.”

Carl Rogers
Psicólogo

1. APRENDIZAGEM

O QUE É APRENDIZAGEM?

Aprendizagem é um processo de mudança de comportamento obtido através da experiência construída por fatores emocionais, neurológicos, relacionais e ambientais. Aprender é o resultado da interação entre estruturas mentais e o meio ambiente.
Sem que haja um equilíbrio entre os aspectos citados acima, não é possível que o aluno aprenda de forma eficaz.


“Educamos de verdade quando aprendemos com cada coisa,
pessoa ou ideia que vemos, ouvimos, sentimos, tocamos,
experienciamos, lemos, compartilhamos e sonhamos; quando
aprendemos em todos os espaços em que vivemos – na família,
na escola, no trabalho, no lazer, etc. Educamos aprendendo a
integrar em novas sínteses o real e o imaginário; o presente e o
passado olhando para o futuro; ciência, arte e técnica; razão e
emoção.”

José Moran
2000

Sendo assim, a aprendizagem
se faz diante de “um todo” na vida do
aluno. Mas, e quando alguma coisa
não vai bem para esse aluno?

 

Sendo assim, a aprendizagem se faz diante de “um todo” na vida do aluno. Mas, e quando alguma coisa não vai bem para esse aluno?

Nesse caso o aluno começa a ter dificuldade de aprendizagem. Essa dificuldade pode ser por motivos biológicos ou ambientais. Nos motivos ambientais entram os fatores família, sociedade, condições dignas de moradia, boa alimentação, saúde, etc.

Em uma sala de aula, nos deparamos com uma diversidade absurda,
pois cada aluno tem uma história de vida. O aluno é um ser histórico-social único,
não podemos por tanto, vê-lo como homem massa, conformado e acrítico, como
afirma Gramsci (1991).

“[…]o inicio da elaboração critica é a consciência daquilo que somos realmente, isto é, ‘conhece-te a ti mesmo’ como produto do processo histórico até hoje desenvolvido, que deixou em ti uma infinidade de traços recebidos sem beneficio no inventário. Deve-se fazer, inicialmente, este inventário.” (GRAMSCI, 1991)

Portanto, tentar conhecer o aluno, e principalmente, prestar atenção no comportamento
d este aluno, se está agressivo, impaciente, agitado o u muito tímido, calado, cabisbaixo, é importante pois podem indicar se o aluno tem problemas ou não, o que termina por ser um fator social para a não aprendizagem.

Sendo assim, enfatiza-se a importância da relação professor x aluno como base fundamental na aprendizagem. O professor deve ser mediador do conhecimento e dos conflitos. A boa relação entre o professor e o aluno ajuda ao aluno se sentir confiante, acolhido, envolvido nas atividades, mesmo que estas sejam desagradáveis para ele. Os alunos possuem uma infinidade de sentimentos que os acompanham, como ansiedade, medo, frustração, desejos,
necessidades, etc., assim como o professor também leva estes sentimentos para a sala de aula, afinal todos são seres humanos. Mantendo essa boa relação o professor consegue perceber a necessidade de cada aluno, realizando assim tarefas em que todos possam executar, mesmo os alunos que possuam outros problemas de aprendizagem.

“Toda experiência de aprendizagem se inicia com uma experiência afetiva. É a fome que põe em funcionamento o aparelho pensador. Fome é afeto. O pensamento nasce do afeto, nasce da fome. Não confundir afeto com beijinhos e carinhos. Afeto, do latim “affetare”, quer dizer “ir atrás”. É o movimento da alma na busca do objeto de sua fome. É o Eros platônico, a fome que faz a alma voar em busca do fruto sonhado.” (ALVES, 2002, p. 1 apud SERRA, 2005).

Segundo Patto (1997), o professor vence ou é derrotado na sua profissão não apenas pelo seu saber maior ou menor, mas principalmente pela sua capacidade de lidar com os alunos e ser aceito por eles. Portanto, ainda segundo Alves (2003, p. 83), “frequentemente se aprende uma coisa de que não gosta por se gostar da pessoa que a ensina.” O envolvimento afetivo torna-se facilitador do processo de aprendizagem.

Outro fator é o comportamento do professor na sala de aula. Os alunos, trazem consigo uma infinidade de conhecimentos, pois com acesso às tecnologias, as informações são fáceis de se obter e de forma bastante ampla. Os atuais alunos, gostam de desafios e são multimidiáticos, gerando ao professor também novos desafios. Já não há espaço para a “educação bancária” onde o professor deposita o conhecimento na
cabeça do aluno e este tem que reproduzir
fielmente a fala do professor. (FREIRE,1970)

É importante que o professor acompanhe a evolução desses alunos. O modo de aprendizagem mudou muito nos últimos 20 anos. Antes a formação dos alunos acontecia em uma sala de aula, com calendários e atividades específicas, tinham que ir até a escola, ou biblioteca municipal, ler diversos livros para que pudesse adquirir o conhecimento que necessitava.

“O aluno precisava deslocar-se regularmente até os lugares do saber – um campus, uma biblioteca, um laboratório – para aprender. Na era digital, é o saber que viaja veloz nas estradas virtuais da informação. Não importa o lugar em que o aluno estiver: em casa, em um barco, no hospital, no trabalho. Ele tem acesso ao conhecimento disponível nas redes, e pode continuar a prender.” (Kenski, 2006)

O professor deve, então, repensar os seus métodos de ensino, para que estes se adequem a nova realidade da educação e da aprendizagem, facilitando assim a aquisição do conhecimento.

2. TRANSTORNOS E SÍNDROMES

Outro problema da não aprendizagem são os transtornos e síndromes. Vamos falar um pouco do que são e suas principais características. Acredito que todos já tenham ouvido falar nas síndromes como Autismo, Deficiência Intelectual e nos transtornos de aprendizagem tais como Dislexia, Discalculia, Disgrafia, TDAH. Vamos ver um pouco de cada uma delas.

A Deficiência Intelectual (DI) limita a pessoa em suas atividades diárias na família e na sociedade. Segundo o DSM-V, essas pessoas possuem um déficit funcional, tanto intelectual quanto adaptativo, nos domínios conceitual, social e prático. Para a aprendizagem, os déficits são no raciocínio, resolução de problemas, planejamento, pensamento abstrato e juízo. A DI possui níveis de comprometimento: leve, moderada, grave e profunda. Esses níveis influenciam no comprometimento cognitivo, tornando a aprendizagem mais fácil ou mais
complexa. É importante que o professor se inteire das preferencias, habilidades e limitações em casa para que possa intervir de forma mais efetiva.

 O Autismo é uma síndrome que afeta principalmente a comunicação e a relação social do indivíduo. O autismo também possui grau de comprometimento, porém, para uma comunicação eficaz, em qualquer grau de comprometimento, é necessário o visual e o físico para a compreensão do que se é solicitado. Imagens e objetos facilitam muito a comunicação com pessoas Autistas, pois devido à dificuldade de compreensão de palavras abstratas, através de imagens e objetos o autista faz uma relação entre o solicitado e o que
ele deverá executar. Alguns autistas têm comprometimento da fala, e da coordenação motora fina e grossa.

Pessoas que possuem Autismo, tem apego a rotinas, não suportam muito barulho e nem contato físico. Possuem apego a determinados assuntos e podem se tornar especialistas no que lhe interessa. Podem ser agressivos se algo lhe incomodar muito, assim como podem se autoflagelar com mordidas ou gritar. Possuem movimentos repetitivos com as mãos ou pés, ou outras partes do corpo. Pessoas autistas com as devidas estimulações, podem evoluir muito em seu quadro, diminuindo assim os déficits apresentados. Este video abaixo é de uma
série do fantástico sobre autismo:

A Dislexia tem como principais características a dificuldade de processar os símbolos da linguagem, levando assim a problemas de leitura escrita e matemáticos. Não se pode considerar um aluno disléxico se ele possui distúrbios sensoriais, visuais ou auditivos, nem uma lesão cerebral. Pessoas disléxicas apresentam inversão de letras, dificuldade no reconhecimento de palavras, problemas de ortografia, problemas de memória, dificuldade em
reconhecer os erros, dentre outras. Este video abaixo é sobre dislexia.

A Discalculia tem como principais características a dificuldade com
processamento de informações numéricas, aprendizagem de fatos aritméticos e
realização de cálculos.

A Disgrafia tem como principal característica a incapacidade de recordar a grafia da letra. Ao tentar recordar este grafismo escreve muito lentamente o que acaba unindo inadequadamente as letras, tornando a letra ilegível. Possui déficit na precisão da ortografia, precisão na gramatica e na pontuação, clareza ou organização da expressão escrita. 

Os transtornos de aprendizagem (dislexia, disgrafia e Discalculia) não são considerados se a pessoa não teve uma escolarização adequada. Este video abaixo é sobre Transtornos de Aprendizagem

O TDAH é o transtorno com mais incidência entre as crianças. Tem como principal característica o déficit de atenção e a hiperatividade. Nem sempre uma pessoa com TDAH é hiperativo e desatento ao mesmo tempo. Há casos em que é só desatento e outros que é só hiperativo. Porém a hiperatividade também tira a atenção, deixando o diagnóstico de só hiperatividade mais difícil.

Pessoas com TDAH possuem com frequência falta de atenção e cometem erros por descuido em tarefas escolares ou de trabalho; não conseguem manter o foco ou a atenção; as vezes parece não escutar o que a outra pessoa está falando, ou quando é chamado pelo nome (parece estar nas nuvens ou em outro lugar); não consegue terminar o que começa, seja uma leitura, um trabalho de escola ou um projeto; é desleixado, desorganizado e distraído; possui dificuldade em cumprir prazos; evita se envolver em tarefas que exijam esforço mental prolongado; frequentemente perde objetos ou materiais; esquece as coisas com facilidade;

“O sinal que pode diferenciar uma criança com TDAH de outra que não seja é a intensidade, a frequência e a constância daquelas três principais características. Tudo na criança TDA parece estar “a mais”. Ela é mais agitada, mais bagunceira e mais impulsiva, se for do tipo de alta atividade. E, ainda, significativamente mais distraída, dispersa e não perseverante, se for daquele tipo mais desatento.” (SILVA, 2009)

Esse comportamento “a mais” da criança portadora de TDAH, traz diversos problemas familiares e sociais. Por estarem sempre “a mil por hora”, agem impulsivamente, não executam as tarefas como lhes são solicitados, acabam sendo taxadas de problemáticas, pirracentas, chegando ao ponto de serem punidas com castigos físicos. Como realmente tem dificuldades em controlar seus impulsos e se mete em confusões e desentendimentos em família e com outras crianças, acaba acreditando no que lhe dizem. E se, em família, esta criança já passa por estes “julgamentos”, quando iniciam a sua vida escolar tudo piora muito para esta criança, pois a partir deste momento ela é solicitada a cumprir tarefas, seguir rotinas, e a comparação com os colegas é inevitável. É o momento em que as diferenças de comportamento tornam-se gritantes. As crianças TDAH, acabam atraindo uma atenção negativa dos professores sendo taxado como aluno “problemático”. (SILVA, 2009) O desempenho escolar da criança com TDAH é marcado pela instabilidade.

“Ao longo do desenvolvimento, o TDAH está associado ao risco aumentado de: mau desempenho escolar; reprovações; expulsões e suspensões escolares; relações difíceis com familiares e colegas; desenvolvimento da ansiedade; depressão; baixa autoestima; problemas de conduta e delinquência; experimentação e uso abusivo precoce de drogas, dentre outros.” (BARBOSA, 2015)

Pessoas com transtornos de aprendizagem podem frequentemente apresentar comportamento agressivo, evasivo, angústia, tristeza, isolamento social, dentre outros. E o mais importante são os mais propensos a evasão escolar, devido a baixa autoestima, pois se acham burros e incapazes.

Os transtornos de aprendizagem descritos acima necessitam, também, de acompanhamento psicopedagógico dentre outros profissionais e de atenção dos pais nas atividades diárias.

3. DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM – DUA

E como vamos trabalhar com esse aluno diante de tudo que foi exposto?

Percebemos que há um desafio para os professores. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), no 9.394/96 (Brasil, 1996), no Capítulo III, art. 4º, inciso III, diz que é dever do Estado garantir o “atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino”. E aí fica a pergunta: como vamos dar aula para alunos “normais” e alunos com deficiência ou transtorno juntos? Ainda mais que cada deficiência tem uma particularidade. Deve-se então, repensar em como vamos preparar as nossas aulas e que método mais eficiente devemos utilizar. É importante ressaltar que o planejamento e a didática sejam capazes de envolver todos os alunos, com transtornos e déficits ou não, evitando assim, problemas de aprendizagem e evasão escolar.

“Por muito tempo, perdurou o entendimento de que a Educação Especial, organizada de forma paralela à educação comum, seria mais apropriada para a aprendizagem dos alunos que apresentavam deficiência, problemas de saúde ou qualquer inadequação em relação à estrutura organizada pelos sistemas de ensino.” (Zerbato e Mendes, 2018)

Esse entendimento causou um atraso significativo na educação de crianças e jovens portadores de necessidades especiais. 

Porém essa inclusão escolar, não depende só do professor. Deve haver toda uma estrutura na instituição de ensino, contratação de profissionais especializados e principalmente profissionais que deem suporte ao professor na sala de aula, reestruturação do tempo, quantidade de alunos na sala de aula, etc e principalmente aperfeiçoamento do professor na área de educação especial. Não tem como o professor sozinho dar conta de tudo, instituição, comunidade e principalmente os pais têm que colaborar.                                                             

Sabemos que durante esses anos, existiram uma gama enorme de projetos, estudos e programas para que se obtivesse sucesso na inclusão escolar. Nos anos 90, houve uma radicalização do movimento pela inclusão escolar, porém, não houve mudanças significativas nem no currículo, nem na didática aplicada aos alunos, o que resultou em mais fracassos.

“Observa-se que os documentos orientadores da perspectiva inclusiva (Brasil, 2001, 2008, 2010, 2015) fazem referências a um sistema de ensino idealizado, no qual todos aprendem, chamando a atenção do ensino comum para o desafio de atender as diferenças. No entanto, mesmo com tal perspectiva conceitual transformadora, as políticas educacionais implementadas parecem não alcançar o objetivo de orientar a escola comum a assumir o desafio de responder as necessidades educacionais de todos os alunos.” (Zerbato e
Mendes, 2018)

Ainda segundo Zerbato e Mendes (2018), o Brasil, acompanhando uma tendência internacional, adotou novas expressões em seus documentos sobre Educação Especial, afim de adequar o currículo na perspectiva da inclusão escolar.

“Termos como adaptações curriculares, acomodações do
ensino, adequações curriculares individualizadas, flexibilização
curricular, entre outros, são recorrentes na literatura oficial para
denominar as ações pedagógicas e sugerirem as formas pelas
quais deveria se ensinar em salas de aulas inclusivas.” (Zerbato
e Mendes, 2018) 

Diante deste contexto, surgiu em 1999, o conceito Universal Designer Learning (UDL), sendo traduzido como Desenho Universal para Aprendizagem (DUA). Este conceito surgiu para que as necessidades de todos fossem atendidas, tendo deficiência ou não. O DUA ainda é pouco conhecido devido a existência de poucas literaturas.

Vamos então conhecer um pouco mais sobre esse novo conceito de aprendizagem. Segundo Zerbato e Mendes (2018) o DUA foi desenvolvido por David Rose, Anne Meyer e outros pesquisadores do Center for Applied Special Technology (CAST) e apoiado pelo Departamento de Educação dos Estados Unidos, em 1999, em Massachusetts (CAST UDL, 2006). A projeção de edifícios e espaços públicos pela arquitetura, baseada no conceito do Design Universal, de modo que todos possam ter acesso, sem qualquer limitação, foi a inspiração para o surgimento do DUA (Zerbato e Mendes, 2018 apud Nelson, 2013).

Esse conceito busca a ideia de um currículo que seja pensado para atender as necessidades diversas necessidades dos alunos, independente se a barreira é física ou pedagógica. Assim, ao invés de se pensar numa adaptação específica para um aluno particular, em determinada atividade, se pensa em formas diferenciadas de ensinar o currículo para todos os estudantes (Zerbato e Mendes, 2018 apud Alves et al., 2013).

Ainda segundo Zerbato e Mendes (2018), os princípios norteadores do
DUA são:

  • A aprendizagem está relacionada tanto aos aspectos emocionais quanto aos biológicos do indivíduo, isto é, a quantidade de sono e alimentação adequada, as predisposições e as emoções, são fatores que precisam ser respeitados;
  • É importante que os alunos tenham experiências significativas, tempo e oportunidade para explorarem o conhecimento;
  • As emoções têm uma importância fundamental uma vez que motivam a aprender, a criar e a conhecer;
  • O ambiente é muito importante. Os conhecimentos aprendidos precisam ser significativos e se essas aprendizagens não forem usadas em outros ambientes, tais conhecimentos e conexões estagnam-se;
  • A aprendizagem deve ter sentido para o sujeito, de modo que as informações se relacionem e estejam interligadas com quem aprende. Se não for assim, há memorização, mas não aprendizagem;
  • Cada indivíduo é único e, consequentemente, isso nos remete para os estilos, ritmos e modos singulares de aprendizagem em cada indivíduo;
  • A aprendizagem é aprimorada com desafios e inibida com ameaças, ou seja, o indivíduo precisa tanto de estabilidade quanto de desafio. Tais aspectos têm como premissa os estudos de três grandes sistemas corticais do cérebro envolvidos durante a aprendizagem: redes de reconhecimento, estratégicas e afetivas (Zerbato e Mendes, 2018 apud Rose e Meyer, 2002).

Sendo assim, quanto maior as possibilidades de apresentar um novo conhecimento, maiores serão as possibilidades em aprendê-lo. Como exemplos práticos envolveriam a utilização de livros digitais, softwares especializados e recursos de sites específicos, elaboração de cartazes, de esquemas e resumos de construção de cartões táteis e visuais com códigos de cores, entre outros. (Zerbato e Mendes, 2018)

De acordo com Zerbato e Mendes (2018 apud Rose e Mayer, 2002), o princípio da representação é estruturado em torno de três orientações:

  • Dar opções para a compreensão: mover-se entre os conhecimentos prévios até os conceitos mais abrangentes, trabalhar com conceitos mais complexos para ganhar uma compreensão aprofundada; 
  • Dar opções para linguagem, expressão matemática e símbolos: dar suporte para os estudantes na compreensão de textos, números, símbolos e linguagem; 
  • Dar opções para percepção: adequação de informações auditivas, visuais e concretas.

Como já foi citado anteriormente, para que esse plano dê certo, é necessário o suporte de profissionais especializados, comprometimento dos pais, ambiente que satisfaça as necessidades dos alunos sendo elas físicas, sensoriais e de comunicação.  E ao professor, cabe elaborar atividades que envolvam, por exemplo, a tecnologia, que hoje pode trazer inúmeros e variados estímulos, atividades em grupo e de interação, atividades que envolvam jogos eletrônicos voltados para a educação (hoje existem muitos disponíveis), atividades que estimulem a comunicação verbal e escrita, dentre outras. E não menos importante a avaliação. Esta deve garantir que o aluno com dificuldade tenha materiais e informações suficientes para demonstrar o que aprendeu.

“[…] Garantir o acesso à escola regular constitui a dimensão mais fácil de alcançar no processo de inclusão, pois depende sobretudo de decisões de natureza política. Já assegurar a aprendizagem e o sucesso na aprendizagem envolve mudanças significativas nas formas de conceber a função da escola e o papel do professor no processo de ensino e aprendizagem. Trata-se, portanto, de equacionar processos pedagógicos inclusivos que permitam o envolvimento efetivo de crianças e jovens com NEE na aprendizagem […] Tal necessidade está associada ao aparecimento do conceito Universal Design for Learning (UDL) nos anos 90 […]” (Zerbato e Mendes, 2018 apud Nunes e Madureira, 2015, p. 7)

Sendo assim, podemos perceber que, não só crianças que tem síndromes ou distúrbios possuem dificuldade de aprendizagem, mas qualquer aluno pode ter. Precisamos de um modelo que inclua a todos e que facilite a aprendizagem de todos, independente da dificuldade. Cabe aos profissionais de educação, fazer a educação inclusiva acontecer. Ao se falar de profissionais de educação, digo todos os envolvidos, desde a pessoa que lida com a limpeza da escola, passando pela professora, coordenadora, até o psicopedagogo ou outros profissionais que acompanham estes alunos em suas dificuldades de aprendizagem.

Portanto, devemos sempre estar buscando modelos como o DUA, para que possamos fazer o que escolhemos fazer: promover a educação e o conhecimento.

BIBLIOGRAFIA

ALVES, L.; BONFIM, C. Gamebook e a estimulação de funções executivas em crianças com indicação de diagnóstico de TDAH: Processo de pré-produção, produção e avaliação do software. Revista da FAEEBA: Educação e contemporaneidade/Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Educação Campus I – v.25, n. 46 (maio./ago., 2016) – Salvador: UNEB, 2016

ALVES, L.; RIOS, V.; CALBO, T. Games: delineando novos percursos de interação. Intersemiose Revista digital. Ano II, n. 04, Jul/Dez, 2013. 

BARBOSA, D. L. F. Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade: Intervenções Cognitivas e Comportamentais. In Miotto, Eliane Correa. Reabilitação neuropsicológica e intervenções comportamentais. 1. ed. Rio de Janeiro: Roca, 2015

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro. Paz e terra, 1970.

GINDRI, G.; FRISON, T. B.; OLIVEIRA, C. R. de.; ZIMMERMANN, N.; NETTO, T. M.; FERNANDEZ, J. L.; PARENTE, M. A. de M. P.; FERRÉ, P.; JOANETTE, Y.; FONSECA, R. P. Métodos em reabilitação neuropsicológica. Disponível em: http://www.nnce.org/Arquivos/Artigos/2012/gindri_etal_2012.pdf Acesso em
27/01/2017

GRAMSCI, Antonio. Concepção dialética da história. Trad. Carlos Nelson Coutinho. 9 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991

HAASE, V. G. Porque as dificuldades de aprendizagem da leitura e da matemática andam juntas? Minas Gerais, 2015. Disponível em: https://lndufmg.wordpress.com/2015/11/12/por-que-as-dificuldades-deaprendizagem-da-leitura-e-da-matematica-andam-juntas/ Acesso em:
27/01/2017

KENSKI, Vani Moreira. Tecnologia e ensino presencial e a distância. 3 ed. Campinas SP: Papirus, 2006. ALVES, L. R.G. A cultura lúdica e cultura digital: interfaces possíveis. Revista Entreideias. Salvador: 2014. V.3, n.2, jul/dez.

LEI BRASILEIRA DE INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA – LEI Nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm 

MANUAL DIAGNÓSTICO E ESTATÍSTICO DE TRANSTORNOS MENTAIS: DSM-5. American Psychiatric Association. 5ª edição. Porto Alegre: Artmed, 2014. 

 

MORAM, José. Mudar a forma de ensinar e aprender: Transformar as aulas em pesquisa e comunicação presencial-virtual. Revista Interações, São Paulo, 2000. vol. V, p.57- 72

NIKAEDO, C. C. Funções Executivas na Infância: Conceitos da Avaliação Dinâmica Aplicados à Intervenção. In Miotto, Eliane Correa. Reabilitação neuropsicológica e intervenções comportamentais. 1. ed. Rio de Janeiro: Roca, 2015

OLIVEIRA, L. B.; ISHITANI, L.; CARDOSO, A. M. Jogos Computacionais e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade: Revisão Sistemática de Literatura. In Nuevas Ideas en Informática Educativa TISE. Belo Horizonte, 2013. Disponível em: http://www.tise.cl/volumen9/TISE2013/223-230.pdf. Acesso em: 29 jan. 2017

PONTES, L. M. M.; HÜBNER, M. M. C. A reabilitação neuropsicológica sob a ótica da psicologia comportamental. Revista de psiquiatria clínica. São Paulo, 2008 V.35 Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101- 60832008000100002 Acesso em: 27/01/2017

RAMOS, D. K.; ROCHA, N. L. da. Avaliação do uso de jogos eletrônicos para o aprimoramento das funções executivas no contexto escolar. Revista psicopedagogia. São Paulo: 2016 v.33 ed.101

RELVAS, M. P. Neurociências e transtornos de aprendizagem: as múltiplas eficiências para uma educação inclusiva. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2015.

SILVA, A. B. B. Mentes inquietas: TDAH: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

WAGNER, F.; ROHDE, L. A. de.; TRENTINI, C. M. Neuropsicologia do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade: Modelos Neuropsicológicos e Resultados de Estudos Empíricos. Porto Alegre, 2016. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pusf/v21n3/2175-3563-pusf-21-03-00573.pdf. Acesso em: 28 jan. 2017

ZERBATO, Ana Paula, MENDES, Enicéa Gonçalves. Desenho universal para a aprendizagem como estratégia de inclusão escolar. Educação Unisinos 22(2):147-155, abril-junho 2018 Unisinos – doi: 10.4013/edu.2018.222.04

Leave a comment